A pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira mostra que Lula tem 53% dos votos válidos e Jair Bolsonaro, 47%. Na semana passada, estes números eram 52% para Lula e 48% para Bolsonaro. A pesquisa Quaest divulgada na quarta-feira apresentava situação similar. A estabilidade tem sido uma constante nas pesquisas – justamente isso deve gerar instabilidade no país nos próximos dias.

A estabilidade nas pesquisas é ruim para Bolsonaro e explica sua movimentação e de seus aliados nos últimos dias em busca de soluções, nem sempre dentro das regras. Bolsonaro sente que pode perder e está se dedicando mais a melar a disputa do que a buscar votos até o último momento. Mas todas suas manobras até agora foram debeladas pela lei.

Diante do fracasso da mais recente, a operação sobre fraude na propaganda em rádios, o presidente se revoltou. Nessas horas, Bolsonaro é instigado por seus aliados mais radicais a tomar atitudes tresloucadas, como tentar adiar as eleições. Mas não tem encontrado apoio fora do círculo de áulicos.

Na noite de quarta, os comandantes militares ficaram calados na reunião em que o presidente descarregou sua raiva contra o presidente do Tribuna Superior Eleitoral, Alexandre de Moraes, numa mesa. Seu silêncio foi a forma de não apoiar aventuras. Valdemar Costa Neto, dono do PL, e Ciro Nogueira, presidente de fato do PP, dissuadiram o presidente de embarcar na tentativa de adiar eleições.

Bolsonaro está sem apoio para um golpe. Isso não significa que não tentará de tudo até domingo e também depois, como fez Donald Trump nos Estados Unidos. Ele não aceitará o resultado se não for a vitória, incentivará seus apoiadores a provocar tumultos e o que a criatividade puder sugerir. A votação acabará no domingo, o resultado será pronunciado, mas Bolsonaro seguirá em campanha por mais algum tempo.