Há uma divisão na equipe de Lula em torno da entrevista em que Jair Bolsonaro fala que “pintou um clima” com adolescentes venezuelanas, em um bairro da periferia de Brasília. Nesta quinta, a campanha de Bolsonaro pediu ao Tribunal Superior Eleitoral para que multe os petistas por continuarem a divulgar o vídeo em que o presidente fala no assunto.

No domingo, 16, Moraes determinou a retirada de conteúdos descontextualizados que coloquem Bolsonaro como pedófilo. Por isso, Lula não citou o “pintou um clima” no debate da Band, naquela noite. Parte da equipe de Lula entendeu que a decisão era ampla e proibia até o petista de citar o caso.

Mas havia também quem dissesse que o limite era a desinformação, já que o próprio Bolsonaro havia relatado o encontro com adolescentes venezuelanas, falado em “pintou um clima” e sugerido que as meninas estavam se arrumando para se prostituir.

A interpretação do segundo grupo ganhou força de segunda-feira para cá. Por isso, Lula chegou a citar o caso numa entrevista, sem chamar Bolsonaro de pedófilo, mas num tom de cobrança. As meninas não estavam indo se prostituir. Bolsonaro esteve, isso sim, num projeto social.

O impacto da divulgação da entrevista de Bolsonaro foi tão grande, que ele gravou um vídeo pedindo desculpas para as venezuelanas.

Justamente por ter sido o próprio Bolsonaro a contar a história é que a campanha de Lula acredita não haver sentido na decisão de Moraes de proibir seu uso na campanha eleitoral.

Para explorar o tema, o PT vai levar à TV declarações de Jair Bolsonaro elogiando o ex-ditador do Paraguai, Alfredo Stroessner, acusado de pedofilia, além de assassinar e torturar centenas de pessoas.