Lula encerrará o ano inclinado a não dividir em dois o Ministério da Justiça e Segurança Pública. Ele tem ouvido conselhos de seus auxiliares, segundo quem, ao criar uma pasta específica para a segurança, puxará um problema dos estados para o colo do governo federal.
As pesquisas internas do governo apontam que o assunto preocupa a população e, portanto, deveria receber mais sua atenção. Mas, pela Constituição, a segurança pública é uma atribuição dos estados. São os governadores quem controlam as polícias civil e militar. Logo, nenhuma política pública federal funcionará adequadamente.
A avaliação é que Lula deve, por meio do Ministério da Justiça, colocar a Força Nacional ou mesmo da Polícia Federal para auxiliar os governadores em casos específicos e tentar canalizar, por meio de emendas e financiamentos, verbas para os estados. Mas não deve assumir como seu um problema de gestão de estados e municípios.
“Já há muitos problemas federalizados, não dá para assumir mais um”, admite um auxiliar do presidente ao Bastidor. Lula, por enquanto, tem concordado com a premissa.
Mas acredita que, caso a divisão fosse bem sucedida, poderia dar um protagonismo a seu governo numa área realmente problemática para o país.

