Como era de se esperar, o ato em favor de Jair Bolsonaro ontem, no Rio, foi na realidade um comício de pré-campanha. Os organizadores aproveitaram a onda criada pelo empresário Elon Musk, pegaram o mote da defesa de Bolsonaro e reuniram políticos do PL para uma manifestação. Isso é campanha eleitoral.
Como ocorreu em fevereiro, em São Paulo, Bolsonaro não falou mal do Supremo ou do ministro Alexandre de Moraes; deixou o trabalho sujo para o pastor Silas Malafaia, que atacou Moraes e o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco.
A prova que era um ato de campanha, é que só governadores do PL foram ao evento – nem Tarcísio de Freiras, de São Paulo, o favorito de Bolsonaro para ser seu candidato em 2060, foi. Tarcísio é do Republicanos, então não poderia comparecer a um ato do PL.
É neste detalhe que as coisas ficam mais claras: Tarcísio foi em fevereiro porque o ato foi em São Paulo e Bolsonaro estava acossado pela Polícia Federal. Desta vez ficou de fora porque era coisa do PL. O mesmo fez Ronaldo Caiado, governador de Goiás, filiado ao União Brasil e pré-candidato para 2026.
Ser bolsonarista, ser de direita, ser conservador e querer os votos dos eleitores de Bolsonaro é uma coisa; participar de comício do PL, com fachada de ato de apoio a Bolsonaro, é coisa de amador.
Parlamentares do PL defenderam Bolsonaro e, protegidos pela imunidade, falaram mal do Supremo. O que isso tem a ver com a campanha para a eleição municipal? Nada. Mas a defesa de Bolsonaro é o discurso que identifica candidatos do PL e pode uni-los a eleitores de Bolsonaro.
Assim, nos próximos meses, Bolsonaro será o garoto-propaganda da pré-campanha e das campanhas dos candidatos do PL. Os xingamentos contra o Supremo, o discurso de que Bolsonaro é um perseguido político, etc, tudo isso servirá para atrair seus eleitores para candidatos a prefeito e vereador pelo PL.
Todo o discurso de que planejar um golpe de Estado não é crime, que os golpistas que depredaram Brasília em 8 de janeiro de 2023 são vítimas, que deve haver anistia para eles, etc, será usado para ganhar votos. O que isso tem a ver com problemas locais, é apenas um detalhe. O PL vai usar Bolsonaro da melhor maneira que pode.

