O ato bolsonarista marcado para domingo, no Rio de Janeiro, é um evento de pré-campanha eleitoral disfarçado de manifestação de apoio a Jair Bolsonaro. Tudo está sendo acertado nos mesmos moldes do que aconteceu na avenida Paulista, em São Paulo, no final de fevereiro, mas o momento é outro.

Assim como há dois meses, a organização é do pastor Silas Malafaia e o mote é a defesa de Bolsonaro, investigado por desvio de joias da Presidência, uso da Abin para fins particulares e tentativa de golpe de estado.

Mas, ao contrário de fevereiro, quando operações da Polícia Federal encurralaram Bolsonaro, não há um fato agudo. O que está na mesa no momento é a preparação das candidaturas bolsonaristas para a eleição municipal de outubro. A pré-campanha começa a ir para a rua.

O episódio de promoção do empresário Elon Musk está sendo usado como mote para turbinar um discurso de que Bolsonaro é uma vítima do ministro Alexandre de Moraes. Isso serve para atrair atenção ao evento, no qual bolsonaristas falarão e poderão espalhar um discurso para usar nas campanhas a prefeito e vereador.

Um dos principais objetivos é impulsionar a candidatura do deputado Alexandre Ramagem, ex-diretor da Abin, a prefeito do Rio pelo PL.

Assim como Ramagem, a maioria dos candidatos do PL e de aliados precisa da imagem de Bolsonaro a seu lado. Um ato que aproveite o barulho provocado por Elon Musk e critique o Supremo em defesa de Bolsonaro é perfeito para dar a energia à pré-campanha e expor pré-candidatos – em resumo, fazer propaganda política.