São escassas as chances de o presidente da Câmara, Arthur Lira, atingir seu objetivo de resolver este mês quem será o candidato à sua sucessão. Mais improvável ainda conseguir, em seguida, negociar apoio do governo a este candidato.
Nenhum dos três candidatos em questão – Elmar Nascimento, do União Brasil, Antônio Brito, do PSD, e Marcos Pereira, do Republicanos – está disposto a conversar sobre abrir espaço para o outro. “Se ninguém desistir, e ninguém vai desistir agora, não tem conversa”, diz um aliado de Lira.
A eleição para a presidência da Câmara será apenas em fevereiro do ano que vem, mas o tempo corre contra Lira. Cada dia a mais no ano é um dia a menos de poder para ele, que vai perdendo capacidade de influir na disputa.
O preferido de Lira é Elmar Nascimento, não por acaso o candidato mais bem posicionado até agora. A questão é que Nascimento não é o preferido do presidente Lula, apesar de ter melhorado o relacionamento com o ministro da Casa Civil, Rui Costa, seu adversário na Bahia.
A estratégia de Lira até agora tem sido intimidar o governo com ameaças para que não influa na disputa. Ao mesmo tempo, busca apoio de Lula para não correr riscos desnecessários.
Nesta semana, que deveria ser de trabalho em Brasília, os deputados mudaram de planos e quase todo mundo ficará nos estados para cuidar de seus candidatos na eleição municipal. Uma semana a mais para Lira cuidar de aumentar sua base de prefeitos em Alagoas, uma semana a menos para cuidar de sua base na Câmara.

