Se o macabro placar que já passou das 500 mil mortes provocadas pela covid-19 é um desgaste que terá de ser administrado na campanha da reeleição do presidente Jair Bolsonaro, o risco de apagões ou racionamento de energia pode ser a pá de cal nesse projeto de se manter no poder por mais quatro anos.
Pouco antes de o ministro de Minas e Energia, almirante Bento Albuquerque, fazer o pronunciamento na noite de ontem, segunda-feira 28 de junho, Bolsonaro o chamou para verificar, mais uma vez, se os brasileiros terão mais esse tormento em suas vidas. O ministro insiste que não há risco, apesar da gravidade da seca.
Bolsonaro tem ouvido de diferentes fontes, inclusive do presidente da Câmara, Arthur Lira, que os eleitores não vão tolerar o que ocorreu no Amapá no passado, meses antes de uma disputa eleitoral.
O presidente tenta se livrar da imagem da falta de gestão de seu governo. Pior que isso é o risco surgido com a CPI da Pandemia, fazer vista grossa para corrupção. Ele tem sido aconselhado a investir na conscientização da população para a economia de energia. Esse foi o tom do pronunciamento de Bento Albuquerque.
A comunicação do governo, por ordem de Bolsonaro, vai insistir na ideia de que as regiões Sudeste e Centro-Oeste enfrentam a pior seca em 91 anos. O presidente quer evitar a culpa do aumento de 52% nas contas de energia.

