O debate dos candidatos a presidente, organizado por diversos veículos de imprensa, alternou momentos de florentina e cloroquina. Entre a piada e o absurdo, pairou a imagem de Lula e privilegiou-se a parceria, com adversários bem amigáveis para falarem ao público.
Jair Bolsonaro e Padre Kelmon deram as mãos mais de uma vez. Numa delas, o suposto líder religioso disse que o debate seria uma briga de 5 contra 1, se ele não estivesse lá para defender o presidente. Noutra, padre e capitão usaram os cristãos perseguidos na Nicarágua para atacar Lula.
Ciro Gomes, Simone Tebet e Soraya Thronicke fizeram uma ciranda para falar (pouco) de seus projetos e atacar (muito) o petista pela corrupção em seus governos, e o atual presidente pelos últimos quase quatro anos. Debate mesmo foi minoria na transmissão conjunta por CNN, Estadão/Rádio Eldorado, NovaBrasilFM, SBT, Terra e Veja. Alguns enfrentamentos entre Bolsonaro e Tebet, Thronicke ou Ciro.
As duas senadoras acusaram o presidente de ser machista, de ignorar a realidade famélica de milhões de brasileiros e governar aliado ao centrão. Um Bolsonaro calmo, de tom ameno, respondeu ponto a ponto. Destacou, com meias verdades, programas de transferência de renda e a queda nos índices de feminicídio.
O presidente teve resposta até para o orçamento o secreto: não é culpa dele. Numa das discussões mais acaloradas, Bolsonaro lembrou Soraya que ela se beneficiou do orçamento secreto; ouviu da senadora que confundiu “Florentina” com “cloroquina”. Noutra, disse à Tebet que o dono orçamento secreto é o Congresso que ela e Thronicke integram.
“Eu não tenho acesso, não sei para onde vai o dinheiro. Pergunte às senadoras [Simone e Soraya]”, afirmou Bolsonaro – só não contou que a base do governo no Congresso apoiou em peso a proposta.
Se colocar como vítima do sistema (mesmo sendo ele o sistema) foi a saída de Bolsonaro para todo e qualquer ataque. Reclamou que faltou cooperação dos outros, especialmente do Supremo Tribunal Federal, que o impediu de combater devidamente pandemia, desemprego e inflação.
As menções às histórias mal contadas sobre a família presidencial e às investigações por corrupção irritaram Bolsonaro, que se manteve vítima. Rebatia as acusações dizendo ser perseguido, com apurações sem indícios e reportagens maledicentes, e jogava a roubalheira no colo de Lula. “Me acusam de ser corrupto, mas não dizem de onde vem o dinheiro”, respondeu Bolsonaro a Ciro Gomes, após o pedetista citar investigações contra os filhos do presidente. “Ciro, a PF bateu na tua porta e do teu irmão [Cid Gomes]”, complementou.

