A estratégia do líder do governo na Câmara, Ricardo Barros, para o seu depoimento à CPI da Pandemia era irritar Randolfe Rodrigues, Simone Tebet e Alessandro Vieira. Barros queria, mais do que se manter na função, agradar o chefe, o presidente Jair Bolsonaro, e brilhar para as redes bolsonaristas.

O líder do governo conseguiu. Irritou todos os senadores independentes e de oposição da comissão, causou confusão e espalhou mentiras, como a de que o trabalho da CPI atrapalhou a compra de vacinas. A sessão foi interrompida.

Barros brilhou para as redes bolsonaristas, dando argumento para os apoiadores do presidente espalharem mentiras nas redes. Flávio Bolsonaro tratou logo de postar em sua rede social o que o líder do governo de seu pai acabara de falar sobre a comissão atrapalhar o combate à pandemia.

Mas, ao afrontar o trabalho dos senadores, deu força para os senadores que defendiam a manutenção e o aprofundamento das investigações da Covaxin. O caso, como informou o Bastidor, vinha perdendo relevância interna.

Ao culpar a CPI, o líder do governo uniu todos os senadores não governistas. A indignação de Omar Aziz, ao encerrar a sessão desta quinta-feira, 12, é ilustrativa. Partiu de Aziz, contra a vontade de seus pares, transformar a convocação de Barros em convite um dia antes do depoimento.

Novamente, é Aziz quem faz novo gesto ao governo. Apesar de sua indignação ao suspender a sessão, foi convencido pelo líder do governo no Senado, Fernando Bezerra, e pelo próprio Barros de que a comissão deveria aproveitar sua presença para esgotar todas as perguntas. Ouviu o compromisso de que o líder será mais respeitoso em suas respostas.