A cúpula da CPI da Pandemia avalia que a estratégia de enfrentamento adotada pelos advogados do lobista Francisco Emerson Maximiano, o Max, já resultou em vitórias à comissão antes mesmo do depoimento dele.
Primeiro, os advogados Ticiano Figueiredo e Pedro Ivo Velloso esperaram até a véspera do depoimento de Max para informar que ele cumpria uma quarentena após viagem à Índia e, portanto, não poderia comparecer à CPI. Mesmo que não fosse essa a intenção deles, os senadores sentiram-se engrupidos e insultados.
Os advogados também passaram a representar a farmacêutica Emanuela Medrades, subordinada de Max. Talvez por coincidência, ao levarem os dois para depor no inquérito da Polícia Federal sobre a Covaxin criaram a percepção, entre os senadores, que estão atuando alinhados ao governo Bolsonaro.
Hoje (terça), a estratégia dos advogados de Max era manter Emanuela Medrades em silêncio total – e enfrentar a CPI, sem qualquer tipo de colaboração. Chegaram a ser admoestados com firmeza pelo presidente da CPI, Omar Aziz – tanto pela manhã quanto à noite. O senador Alessandro Vieira chegou a dizer que Emanuela estava sendo indevidamente orientada pelos dois.
Aziz, Randolfe Rodrigues e Renan Calheiros anteviram no comportamento deles uma oportunidade para provocar o presidente do Supremo, Luiz Fux. Os senadores já sabiam que Fux decidiria em favor da CPI. Ou seja, determinaria que um investigado pode evitar a autoincriminação – mas não permanecer em silêncio sobre todo e qualquer assunto.
Com a decisão, tanto Emanuela quanto, especialmente, Max terão que depor – e depor em condições mais adversas, hostis mesmo, do que se tivessem demonstrado boa vontade com os senadores. Ambos falam amanhã (quarta). (Não havia sequer data para o depoimento de Max antes da confusão de hoje.)
Com a decisão de Fux, a CPI ganhou mais musculatura política. E vai usá-la no caso Covaxin. Se Emanuela e Max mantiverem a linha acolhida pelos advogados até hoje, provavelmente serão presos por falso testemunho ou desacato.

