Ao contrário do que o clima sugeria pouco antes, o debate da Band neste domingo foi o melhor de uma campanha eleitoral acirrada, monótona e suja. Frente a frente, conversando, Lula e Bolsonaro protagonizaram a melhor discussão possível diante da animosidade que os cerca.

Maior das surpresas, o debate não acabou em briga de rua. Antes do encontro, Bolsonaro estava nervoso devido à repercussão do caso do “pintou um clima”. Temia-se um descontrole que não aconteceu.

Dito isso, vamos a o que interessa: apesar de tudo, o debate não produziu nada capaz de mudar o rumo da eleição e não houve um vencedor. Nem Lula, nem Bolsonaro conseguiram se superar: repetiram os mesmos argumentos e tentaram os mesmos truques Eleitores indecisos estão na mesma. Eleitores de um gostam menos do outro.

Os eleitores indecisos tiveram alguma chance de ouvir propostas dos candidatos – ainda que elas tenham sido ralas. Elas apareceram quando os dois foram questionados por jornalistas. Contudo, na maior parte do tempo Lula e Bolsonaro se preocuparam mais em aumentar a rejeição um do outro, do que em tentar conquistar os indecisos.

Lula esteve melhor no primeiro bloco. Mais desenvolto e habituado a debates, circulou pelo palco, falou diretamente à câmera e se impôs. Perguntou sobre universidades e vacinas e acabou encurralando Bolsonaro e colando nele a pecha de mentiroso. Nervoso, Bolsonaro não olhava no rosto de Lula. Repetiu as mesmas respostas de 2020. Para ambos os assuntos, formulou respostas que acusavam o PT de corrupção.

No último bloco, Bolsonaro tentou fazer o mesmo com Lula. Insistiu na questão da corrupção e nas histórias de Lula ser próximo de ditadores que perseguem padres, adeptos da legalização das drogas, o perigo do comunismo e do Brasil “se tornar uma Venezuela”. Economizou e teve cinco minutos para falar sozinho no final. Poderia ter tentado, mas acabou falando apenas para seus eleitores mais fiéis, que se preocupam com religião e o comunismo. É uma dificuldade que Bolsonaro não consegue superar.

A verdade é que Lula não tem uma resposta quando o tema é corrupção. Também não tem resposta quando surge a pergunta “quem será seu ministro da Fazenda?”. Bastaria dizer “qualquer um, menos o Paulo Guedes” ou que alguns dos melhores economistas do país, inclusive ex-adversários tucanos, estão a seu lado. Mas não conseguiu.

A verdade é que Bolsonaro é ruim de debates e não tem respostas para seu negacionismo em relação à covid. O presidente não tem outro argumento senão o tema corrupção e seu discurso que une defesa das armas e fake news sobre Lula querer fechar igrejas e legalizar o aborto e banheiros unissex. É muito pouco. 

Diante de tudo isso, eleitores indecisos não tiveram subsídios suficientes para finalmente tomar uma decisão. Ainda estão diante de um dilema.