Encerrada no último dia 9, a Exposição-feira Agropecuária de Roraima, conhecida como Expoferr, recebeu cerca de 500 mil pessoas em Boa Vista (RR), segundo o governo estadual, seu organizador oficial. Porém, por trás do evento agrícola há suspeitas de favorecimento a amigos do governo.
Sem fazer licitação ou chamamento público, a Secretaria de Agricultura, Desenvolvimento e Inovação de Roraima, chefiada por Márcio Grangeiro, escolheu a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Roraima (Faerr) para selecionar os patrocinadores.
A entidade sindical ligada ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) foi autorizada pelo governo a usar as cotas de patrocínio para cobrir os custos da feira. Os patrocinadores pagaram de 15 mil reais a 400 mil reais, segundo disseram ao Bastidor pessoas que acompanharam as negociações.
A cessão da gestão da feira à Faerr foi feita um ano depois de o secretário Grangeiro e o governo de Roraima se tornarem alvos do Tribunal de Contas do estado justamente devido a um processo de contratação. O TCE bloqueou 8,5 milhões de reais em bens do secretário de Agricultura por falta de transparência na contratação do Instituto Brasileiro de Cidadania e Ação Social (Ibras) para organizar shows na Expoferr.
O Ibras e sua presidente, Bruna Antony de Oliveira, também tiveram bens bloqueados até 8,5 milhões de reais, pois o contrato firmado totalizou 17 milhões de reais dos cofres do estado. Segundo a empresária, houve chamamento público para a contratação.
Os contratos para prestação de serviços na feira também foram firmados sem publicidade. O show da rainha da feira, por exemplo, custou 40 mil reais e foi organizado por uma empresa de publicidade aberta há dois anos por uma advogada que ocupou cargos comissionados no governo e em prefeituras de Roraima, além de ter sido procuradora de empresas que fecharam contratos com os poderes públicos no estado.
Sabrina Romeiro Silveira abriu a S&S Assessoria e Representações em outubro de 2022, pouco depois de ter deixado um cargo comissionado na prefeitura de Mucajaí. A escolha da empresa pela Faerr foi feita sem licitação e teve o aval de Grangeiro, que foi seu colega de Sabrina entre 2015 e 2018, na gestão da governadora Suely Campos.
O Bastidor questionou Silveira, Grangeiro e a Faerr sobre a falta de concorrência na contratação e nos patrocínios. Apenas a dona da S&S Assessoria e Representações respondeu. Disse que houve concorrência pública, mas não apresentou os documentos que comprovem isso.

