Ciro Gomes está em uma situação difícil. Tem 7% das intenções de voto a 10 dias das eleições, boa parte de seu partido já se bandeou para a candidatura de Lula e até alguns de seus eleitores famosos estão seguindo o mesmo caminho. Pior, a campanha do PT pelo voto útil o pegou em cheio.
A cena do início da semana de seis ex-candidatos à Presidência ao lado de Lula e fazendo o “L” com as mãos, desencadeou um movimento que prejudica, essencialmente, Ciro. Gente tão diferente quanto Marina Silva, Henrique Meirelles e Guilherme Boulos reunida numa mesa para apoiar Lula chama a atenção e provoca questionamentos.
A imagem e as pesquisas mais recentes, que mostram Lula oscilando para cima, Bolsonaro no mesmo lugar e Ciro também estagnado, desencadearam um movimento de corrida em direção a Lula. Aderiram ao petista o cantor Caetano Velloso, há tempos defensor de Ciro – ou não.
Nesta quarta, chamou a atenção a a adesão do advogado Miguel Reale Júnior. Reale está longe de ser uma celebridade formadora de opinião, mas foi autor do pedido de impeachment contra Dilma Rousseff e era eleitor de Simone Tebet. Coisas assim deixam aquele clima de “até ele está com Lula”, que influencia uma parcela dos eleitores.
Não se trata de uma montanha de votos, aquela que só vem dos eleitores mais pobres. Mas são os eleitores de Ciro e de sua colega da terceira via, Simone Tebet, do MDB. Eles sabiam desde o início que havia pouco espaço no cenário para alguém que não fosse Lula e Bolsonaro.
As pesquisas mostram que a vitória no primeiro turno que Lula tanto persegue, ainda é um este resultado possível, mas não provável. O que significa que a campanha do PT pelo voto útil pode dar em nada. Não para Ciro, que pode sair menor desta eleição do que de 2018. Isso terá consequências ruins para seu futuro político.

