Valdemar da Costa Neto decidiu dar combustível aos seus bolsonaristas e aos manifestantes que mantêm protestos antidemocráticos. Anunciou há pouco que o PL entrou com um pedido no Tribunal Superior Eleitoral, para que a corte invalide os votos de parte das urnas eletrônicas do segundo turno.
O partido alega que encontrou inconsistências em cerca de 250 mil urnas fabricadas antes de 2020. Afirma que estas urnas não são auditáveis. Segundo o PL, apenas as urnas feitas a partir de 2020 são totalmente auditáveis. O partido diz que as demais possuem falhas de segurança, que impedem a garantia de lisura do processo eleitoral.
Nas contas do partido, caso os votos dessas urnas sejam invalidados, Jair Bolsonaro poderia ganhar as eleições. O PL pede uma recontagem apenas dos votos do segundo turno.
Em uma decisão curta e rápida, emitida menos de uma hora depois da entrada do processo na corte, o presidente do TSE, Alexandre de Moraes, determinou que o PL inclua no pedido também os votos do primeiro turno, sob risco de anular toda a petição.
O movimento de Moraes é estratégico: se fizer isso, o PL coloca em risco a eleição de toda sua bancada, que inclui 99 deputados federais. O partido terá de decidir entre Bolsonaro e a bancada que elegeu.
A peça encaminhada ao TSE foi assinada pelo advogado Marcelo Bessa, que é criminalista, não especialista em direito eleitoral, e que não atuou na campanha de Jair Bolsonaro. O advogado Tarcísio Vieira de Carvalho Neto, ex-ministro do TSE e que trabalhou para a campanha de Bolsonaro, não participou da elaboração da ação. Procurado, ele não comentou o motivo de não ter assinado o pedido do PL.

