O senador Randolfe Rodrigues voltou antes de Lula a Brasília não apenas para mudar a Rede de bloco, mas para defender que o governo mude de estratégia em relação à relatoria e à presidência da CPMI do 8 de janeiro. A questão é saber se consegue tocar as mudanças sem arrumar briga com Arthur Lira.

Como o Bastidor informou mais cedo, um arranjo que inicialmente era aceitável para a articulação do governo tinha o senador Renan Calheiros na presidência da comissão e um aliado de Lira, André Fufuca (MA), líder do PP, na relatoria.

O ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, não via problema no arranjo: embora tido como próximo de Ciro Nogueira —e é—, Fufuca é próximo também do ministro da Justiça, Flávio Dino.

Mas Randolfe, que é líder do governo no Congresso, voltou da viagem a Portugal com uma fórmula: a presidência da CPMI deve ser neutra e a relatoria, de um aliado. Fufuca, segundo o PT, não é aliado, é neutro.

O problema da mudança nas conversas que antes estavam sendo tocadas por Padilha é que pode arrumar confusão com Lira, que não quer Renan Calheiros como protagonista, relatando também a esta comissão. Os dois são adversários figadais.

Renan Calheiros, o leitor lembra, teve muito destaque como relator da CPI da Pandemia em 2021.