O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Luiz Fux, aproveitou a reabertura das atividades do Judiciário, nesta segunda-feira, 2 de agosto, para reagir aos ataques dos últimos dias desferidos pelo presidente Jair Bolsonaro e cobrar respeito.

Independentemente de declarações e avisos, o Judiciário tem de decidir porque essa é a sua atribuição constitucional.

“Harmonia e independência entre os poderes não implicam impunidade de atos que exorbitem o necessário respeito às instituições”, afirmou Fux sem citar Bolsonaro, que nesta segunda-feira voltou a dizer em entrevista à rádio ABC de Novo Hamburgo que ˜não haverá eleições sem voto impresso”. Ao ser instado pelo jornalista para confirmar que não haveria eleições, afirmou que “não haveria eleições limpas [sem voto impresso]”.

“Permanecemos atentos aos ataques de inverdades à honra dos cidadãos que se dedicam à causa pública. Atitudes desse jaez deslegitimam veladamente as instituições do país; ferem não apenas biografias individuais, mas corroem sorrateiramente os valores democráticos consolidados ao longo de séculos pelo suor e pelo sangue dos brasileiros que viveram em prol da construção da democracia de nosso país.”

Mais cedo o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Luís Roberto Barroso, o vice-presidente, ministro Edson Fachin, o ministro Alexandre de Moraes, que será o próximo presidente da corte, além de todos os ex-presidentes do TSE desde 1988, divulgaram nota em defesa do atual modelo de eleições no Brasil.

“A Justiça Eleitoral, por seus representantes de ontem, de hoje e do futuro, garante à sociedade brasileira a segurança, transparência e auditabilidade do sistema. Todos os ministros, juízes e servidores que a compõem continuam comprometidos com a democracia brasileira, com integridade, dedicação e responsabilidade”, diz o texto.

A manifestação ocorre em meio às sucessivas declarações do presidente da República, Jair Bolsonaro, contra o atual modelo de urna eletrônica adotado pelo Brasil e em defesa do voto impresso.