Missão cumprida. Essa foi a resposta do general Eduardo Pazuello quando o relator da CPI da Pandemia, senador Renan Calheiros, perguntou qual foi o motivo da sua demissão como ministro da Saúde de Jair Bolsonaro.

O longo depoimento do general ainda não acabou nesta quarta-feira 19 de maio, mas ele ainda não explicou o que era a sua missão à frente do Ministério da Saúde. Bolsonaro está no quarto ministro da pasta desde janeiro de 2019 e Pazuello é o que recebeu as maiores críticas.

O general frustrou a tropa de choque de Bolsonaro ao afirmar que não identificou irregularidades no uso de verbas repassadas a Estados e municípios. A estratégia do governo é tentar dividir o desgaste da CPI com governadores e prefeitos.

Sobre o escândalo a falta de oxigênio em Manaus, ocorrida no início deste ano, o general afirmou que o Ministério da Saúde teria agido antes se fosse avisado em tempo pelas autoridades locais.

Pazuello foi acusado por senadores de mentir sobre o cancelamento da compra da vacina Coronavac. Em outubro do ano passado, Bolsonaro disse que tinha mandado cancelar um protocolo de intenções. “O presidente sou eu, não abro mão da minha autoridade. Até porque estaria comprando uma vacina que ninguém está interessado nela, a não ser nós”, afirmou o presidente.  

Apesar das declarações públicas de Bolsonaro, o general afirmou à CPI da Pandemia que nunca recebeu ordens para cancelar o acordo. “Uma postagem na internet não é uma ordem”, disse o ex-ministro à CPI.

Pazuello decepcionou quem apostou em um depoimento nervoso, com alusões ao direito de ficar quieto para não se incriminar, já que é investigado em inquérito aberto a pedido da Procuradoria Geral da República. Nessa condição, ele obteve uma ordem do STF para ficar em silêncio.