Atordoados pelas seguidas derrotas políticas desde a decisão do STF que mandou o Senado instalar a CPI da Pandemia, parlamentares e apoiadores do presidente Jair Bolsonaro vêm mantendo a tática rotineira da agressividade nas redes sociais para atacar opositores no Congresso, governadores e prefeitos que não falam a mesma língua do governo.   

Ontem, na primeira reunião da comissão, o relator Renan Calheiros deu o tom do que vem pela frente. O senador citou crimes contra a humanidade que têm de ser investigados porque é notório que Bolsonaro liderou o que cientistas dizem ter sido sabotagem contra recomendações da Organização Mundial da Saúde.

O presidente fez propaganda de medicamentos que não servem para os doentes com Covid-19, atacou as medidas de isolamento social e menosprezou a eficácia das vacinas até perceber que estava perdendo apoiadores. Atualmente, diz que o Brasil é um dos países que mais imuniza a população, mas ressalta que falta vacina em todos os países.  

Os ataques dos bolsonaristas nas redes sociais geralmente usam informações falsas ou fora do contexto. Um exemplo do que voltou a circular nas redes sociais, é o médico Drauzio Varella dizendo que a doença provocada pelo novo coronavírus não era tão grave, mas omite-se que foi antes de a OMS ter declarado pandemia.

Outro ataque que voltou a ser frequente nas redes sociais é o uso de declarações de governadores – Flávio Dino, do Maranhão, por exemplo – que, em algum momento, defenderam a prescrição da cloroquina. Nesse caso, escondem que foi antes de estudos comprovarem a falta de eficácia desse medicamento contra a doença.

A agressividade dos apoiadores de Bolsonaro também explora as contradições e interesses políticos divergentes do presidente da CPI, Omar Aziz, do vice-presidente Randolfe Rodrigues e de Renan Calheiros. Ressaltam momentos em que estiveram em lados opostos, como a eleição de Davi Alcolumbre a presidente do Senado, derrotando Renan em 2019.