A lealdade do general Eduardo Pazzuello tem mais um importante teste pela frente. O presidente Jair Bolsonaro tem sido aconselhado a manter a versão por meio da qual mandou seu então ministro da Saúde apurar as acusações de corrupção na compra da vacina indiana Covaxin. Ele tinha sido alertado em 20 de março pelo deputado Luís Miranda, integrante da sua base de apoio na Câmara.

Desde 25 de junho, quando Miranda e seu irmão servidor do Ministério da Saúde prestaram depoimento na CPI da Pandemia, a pressão contra Bolsonaro só aumentou.

Depois de fracassar na tentativa de adiar um pedido de abertura de inquérito contra o presidente pelo crime de prevaricação, a PGR, finalmente, fez hoje o que se esperava.

Bolsonaro está sendo orientado a explicar, se necessário, que, inicialmente, desconfiou das intenções de Miranda, mas, apesar disso, prometeu ao parlamentar que acionaria a Polícia Federal. De acordo com essa versão, o presidente preferiu mandar o general Pazuello apurar o que estava ocorrendo com a compra da Covaxin antes de envolver a polícia.

Ao Bastidor, uma fonte afirmou que não há pedido formal de Bolsonaro ao ministro da Saúde.

Tudo se encaminha no Palácio do Planalto para jogar toda a culpa no general Pazuello porque as consequências, nas avaliações dos conselheiros de plantão, seriam infinitamente menores do que permitir que Bolsonaro seja réu em uma ação criminal ou inviabilize o governo com um processo de impeachment.