O mundo dormiu com medo na última madrugada, com o incêndio nas proximidades da maior usina nuclear da Europa. O fogo foi causado por ataques a um centro de treinamento perto da usina de Zaporizhzhia. Rússia e Ucrânia se acusam mutuamente pelo incidente que gerou receio de um vazamento radioativo.
Veja abaixo os principais destaques deste dia:
Situação no front
- Mais de 1,2 milhão de pessoas cruzaram as fronteiras da Ucrânia em busca de abrigo em regiões fora do conflito. Desse total, mais da metade foi para a Polônia. Outros 53,3 mil buscaram ajuda na Rússia e quase 400 pessoas foram para Belarus.
- Militares russos tomaram o controle da usina nuclear de Zaporizhzhia, a maior da Europa. O local conta com seis reatores, dos quais três estão desligados, enquanto os outros funcionam sem a potência total. O ataque colocou medo em todo o mundo, porque houve um incêndio nas proximidades.
- A Agência Internacional de Energia Nuclear, ligada à ONU, informou durante a manhã que não houve vazamento radioativo na usina de Zaporizhzhia. Segundo o diretor da entidade, os funcionários da planta continuam trabalhando normalmente, apesar do controle russo.
- Depois dos ataques, Rússia e Ucrânia começaram uma guerra de narrativas sobre quem realizou o avanço militar na área. O governo da Ucrânia diz que controlava a área, mas forças russas tomaram o local à força. Os russos alegam que já controlavam a usina desde o dia 28 de fevereiro e que os ataques foram realizados por “sabotadores ucranianos”.
- Ao longo do dia, o exército da Ucrânia voltou a implorar para que civis ajudassem na defesa das principais cidades do país. “Agora é a hora para os ucranianos colocarem resistência popular total”, escreveu a organização em um post no Facebook.
- Forças russas intensificaram os ataques na cidade portuária de Odessa. Enquanto isso, o exército ucraniano afundou o maior navio de guerra do país, para evitar que a embarcação fosse tomada pela Rússia.
Situação política
- A União Europeia aprovou um pacote de medidas para receber os refugiados ucranianos. Os países do bloco se comprometeram a fornecer vistos de permanência com prazo de até um ano, prorrogáveis por mais dois.
- A ONU convocou uma nova reunião do Conselho de Segurança para discutir a situação na Ucrânia. Não chegou a ser definida nenhuma medida efetiva. Mesmo que fosse, a Rússia tem poder de veto, o que impediria o avanço. O embaixador brasileiro na ONU defendeu o cessar-fogo na região.
- A Comissão de Direitos Humanos da ONU determinou a abertura de uma investigação para apurar possíveis violações durante a guerra na Ucrânia. A moção teve 33 votos favoráveis. Apenas Rússia e Eritréia votaram contra a medida. Houve 13 abstenções, incluindo China, Índia e os sul-americanos Bolívia e Venezuela. O Brasil votou pelo início das investigações.
- O embaixador da Rússia na Comissão de Direitos Humanos argumentou que a abertura da investigação é mero desperdício de recursos. Ele defendeu o direcionamento de esforços do grupo para ajudar civis atingidos pela guerra. Também afirmou que os países que apoiaram a resolução vão fazer de tudo para culpar a Rússia pelos eventos na Ucrânia.
Sanções econômicas, políticas e esportivas
- Em resposta às sanções econômicas e políticas, o governo da Rússia recomendou que os produtores locais de fertilizantes parem de exportar os produtos. A medida ainda não se aplicará ao Brasil. O agronegócio brasileiro depende muito do fornecimento russo. Cerca de 25% dos fertilizantes usados por aqui são feitos na Rússia.
- O governo dos Estados Unidos anunciou um novo pacote de sanções a oligarcas russos. Entre os atingidos está o porta-voz do governo de Vladimir Putin, Dmitry Peskov. Donos de bancos e petrolíferas completam a lista.
- O presidente do Comitê Paralímpico Internacional (CPI), o brasileiro Andrew Parsons, fez um duro discurso a favor da paz na Ucrânia, durante a abertura das Paralimpíadas de Inverno, realizadas na China. Durante a fala dele, a tradução simultânea em chinês foi interrompida. O CPI disse que ainda está apurando a causa da interrupção. A China se absteve de implementar sanções contra a Rússia, como várias outras nações.
- A Câmara Baixa da Rússia aprovou uma lei que prevê prisão de até 15 anos a autores de reportagens que usem as palavras “invasão” e “guerra” para informar sobre as atividades do país na Ucrânia.
- O jornal Novaya Gazeta, editado pelo ganhador do Nobel da Paz em 2021, afirmou que vai apagar publicações que possam ser consideradas ilegais pelo governo russo e seguirá trabalhando mesmo sob censura.
E o Brasil?
- A viagem de Jair Bolsonaro à Rússia, dias antes do início dos conflitos, segue gerando dor de cabeça para o presidente. Alexandre de Moraes determinou que o Palácio do Planalto explique o motivo de o vereador Carlos Bolsonaro ter acompanhado a comitiva presidencial. O prazo para apresentação dos argumentos é de cinco dias.
- O portal Metrópoles divulgou um áudio do deputado estadual Arthur do Val, conhecido como Mamãe Falei, em que faz comentários sexistas sobre as refugiadas ucranianas. “São fáceis porque são pobres”, afirmou o parlamentar, que pretende se candidatar ao governo de São Paulo neste ano. Ele foi à Ucrânia, supostamente, para ajudar os ucranianos a produzir coquetéis Molotov e combater as forças russas.
- Mamãe Falei é integrante do Movimento Brasil Livre, que ajudou a dividir o país no período do impeachment de Dilma Rousseff. Ele conseguiu o improvável. Uniu políticos absolutamente antagônicos, que repudiaram em conjunto a fala deplorável do parlamentar.

