O oitavo dia de guerra na Ucrânia ficou marcado pela reunião entre russos e ucranianos que determinou a criação de corredores humanitários nas áreas de conflito. Enquanto o exército de Vladimir Putin avança, mais de 1 milhão de pessoas já cruzaram a fronteira para fugir dos ataques de mísseis e tiroteios na região. No Brasil, FAB prepara primeiro voo para buscar refugiados.
Veja abaixo os principais destaques deste dia:
Situação no front
- Mais de 1 milhão de pessoas já cruzaram as fronteiras da Ucrânia tentando se proteger da guerra. Os dados são da ONU, que pede cessar-fogo imediato na região, para evitar que haja um êxodo ainda maior de pessoas nos próximos dias.
- A situação dos refugiados segue precária. Agora o risco é com golpistas, que oferecem caronas clandestinas nas fronteiras ucranianas. A embaixada brasileira enviou alerta para que as pessoas que tentem sair do país não entrem em carros de estranhos.
- A ONU denunciou casos de xenofobia e racismo em estações da Ucrânia. Segundo a relatora de direitos humanos da entidade, Tendayi Achiume, pessoas negras, indianos e paquistaneses estão sendo impedidos de embarcar em trens que deixem a zona de guerra. Há também relatos de pessoas sendo proibidas de acessar abrigos de proteção contra bombardeios.
- Delegações da Rússia e da Ucrânia voltaram a se reunir hoje para tentar chegar a um acordo de paz na região. O encontro deveria ter acontecido ontem, mas foi adiado.
- No encontro, os grupos definiram a formação de corredores humanitários para a fuga de civis. Esses locais devem ter cessar-fogo temporário enquanto passarem os comboios. Não foram divulgados detalhes.
- Militares russos conseguiram tomar o controle da cidade de Kherson, uma das principais do país. O local foi alvo de intensos bombardeios e trocas de tiros. Moradores relatam que já conseguem sair às ruas, patrulhadas intensamente por soldados comandados por Vladimir Putin.
- A capital Kiev também segue sob ataques intensos e cercada por militares russos. O prefeito da cidade e o irmão dele estão na linha de frente da batalha para manter o controle do local.
- A Rússia divulgou o primeiro relatório de baixas da guerra. Os números são bem menores dos que os propagados pela Ucrânia, mas mostram que a guerra não está fácil para nenhum dos lados. Segundo a Rússia, 498 soldados morreram nas batalhas e outros 1.597 ficaram feridos. A Ucrânia diz que matou 7 mil soldados russos.
- O ministro da Defesa russo, Igor Konashenkov, ameaçou o que chamou de “mercenários ocidentais” que vierem a ser presos pelo exército do país. Segundo ele, quem for detido será julgado pelas leis da Rússia, sem gozar dos direitos definidos nas leis internacionais humanitárias. Ele ainda disse que sabotadores ucranianos podem ser enquadrados da mesma forma, já que são abastecidos por armamentos de países ocidentais. Dessa forma, nenhum deles será considerado como prisioneiro de guerra.
Situação política
- O Papa Francisco agradeceu ao apoio da Polônia aos refugiados ucranianos. Durante missa no Vaticano, o pontífice disse que o país está oferecendo todo o necessário para que os refugiados possam viver com dignidade.
- Na ONU, a Rússia enfrenta uma nova guerra diplomática. Dessa vez, é a tentativa de expulsão do país da Comissão de Direitos Humanos. O pedido foi feito pela Ucrânia e tem apoio dos Estados Unidos. O Brasil tenta impedir o avanço da medida.
- O Banco Mundial e o FMI devem avaliar na próxima semana um pedido de empréstimo do governo da Ucrânia, no valor de US$ 5,2 bilhões.
Sanções econômicas, políticas e esportivas
- O YouTube bloqueou o acesso à conta do CSKA Moscou, um dos principais times de futebol da Rússia. O clube tem como principal acionista a estatal de investimentos russa VEB, que tem outras 25 subsidiárias. Todas as empresas estão na mira das sanções impostas pelos Estados Unidos a agentes econômicos da Rússia.
- O Comitê Paralímpico Internacional (CPI) decidiu impedir que todos os atletas da Rússia e de Belarus possam competir nas Olimpíadas de Inverno, cuja abertura será no próximo sábado, 5. O CPI mudou o entendimento a respeito da questão depois que atletas de vários países se recusaram a competir contra os russos. Antes, a ideia do comitê era que os atletas russos e belarussos pudessem participar dos jogos sob bandeira neutra, sem hino.
- Depois de suspender a etapa russa deste ano, a Fórmula 1 decidiu cancelar o contrato com os organizadores do circuito de Sochi, retirando completamente a etapa do calendário. A categoria também cancelou o contrato com o circuito de São Petesburgo, que receberia os pilotos a partir de 2023.
- A Embraer informou que suspendeu as vendas de aviões e peças para a Rússia. A empresa brasileira é a terceira maior do mundo no setor e atende principalmente a aviação comercial regional e executiva. As outras duas gigantes do setor, Boeing e Airbus também já haviam anunciado medidas semelhantes.
- As sanções também atingem o setor automotivo. Mercedes-Benz, BMW, Volvo MAN, Suzuki, Honda, Mazda, General Motors, Volkswagen e Toyota estão entre as empresas que suspenderam as atividades de alguma forma no território russo até o fim das sanções econômicas impostas ao país. Entre as medidas tomadas pelas empresas estão o fim das exportações para a Rússia e o fechamento de fábricas.
- Além da Apple, outras empresas de tecnologia também suspenderam os negócios na Rússia. Entre as principais estão a Dell, Ericsson, Oracle, SAP, Siemens e a maior produtora de semicondutores do mundo, a TSMC.
- No setor de entretenimento, a Disney e a Paramount informaram que vão suspender a exibição de todos os filmes em território russo.
- A gigante do setor de móveis IKEA também informou que suspendeu as vendas na Rússia. A empresa também encerrou a produção local de produtos que eram parcialmente exportados para outros países.
E o Brasil?
- O chanceler brasileiro Carlos França segue pressionado pelos pares de outros países como Estados Unidos, Reino Unido e Alemanha. Essas nações pedem que o Brasil se posicione a favor de sanções contra a Rússia nas negociações dos Brics. Na ONU, os demais países do bloco de emergentes se absteve de votar uma resolução condenando a invasão à Ucrânia. Apenas o Brasil foi a favor.
- O governo brasileiro informou que o primeiro avião da FAB para buscar refugiados da Ucrânia deve decolar na próxima segunda-feira, 7. A aeronave levará até a Polônia 11,5 toneladas de material humanitário para ajudar os refugiados e voltará trazendo cidadãos brasileiros que estejam na região.

