O ministro Fernando Haddad (Fazenda) aproveitou a reunião com líderes nesta terça (31), para reforçar o pedido para aprovarem as medidas que aumentem arrecadação. Haddad falou do aumento das despesas sem o correspondente na arrecadação.

A dificuldade dentro do próprio governo para sensibilizar os parlamentares tem irritado Haddad, que teve de engolir uma declaração de Lula de que o déficit zero não será alcançado. Como mostrou o Bastidor, na avaliação de integrantes da Fazenda a fala do presidente joga contra a articulação do ministro no Congresso.

Haddad tem em mãos dados que mostram que as despesas primárias do governo cresceram 5% em termos reais entre janeiro e setembro. Em contrapartida, não houve aumento de arrecadação que compensasse esta alta.

É com isso que ele pretende trabalhar no encontro que terá com o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), planejado para ainda esta semana. Ele também discutirá a necessidade de medidas que ajudem no aumento da arrecadação com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG).

Haddad anda preocupado e irritado com a pressão por mais gastos dentro do governo e no Congresso.

As despesas primárias incluem o aumento real do salário-mínimo e sua repercussão nos gastos previdenciários, no abono salarial e no seguro-desemprego; o aumento do Bolsa Família; aumento da participação no Fundeb e a compensação federal do piso da enfermagem.

Há, ainda, o PAC, o risco de as emendas obrigatórias ganharem um cronograma próprio, sem que o governo consiga controlar a liberação conforme a disponibilidade de caixa, e a possível obrigação com as emendas de comissão (uma espécie de novo orçamento secreto).

O ministro tentará sensibilizar os chefes do Congresso para que os projetos de lei que ajudam na arrecadação, quase que jogando sozinho, porque sabe que até o fim do ano corre sério risco de os parlamentares, com o apoio do próprio PT, contratarem mais gastos.