Na véspera da leitura do requerimento da CPMI do 8 de janeiro, as bancadas do PT na Câmara e no Senado ainda não definiram quem serão os indicados do partido para compor a comissão.

Os motivos da indefinição, no entanto, são opostos: enquanto na Câmara há gente demais brigando para entrar, no Senado há gente de menos.

O senador Humberto Costa (PT) chegou a declarar que tem dúvidas se “a CPMI vai conseguir ter relevância política” e que a comissão está “com cara da CPMI das Fake News, em que cada sessão era embate, briga, confusão, o pessoal só querendo fazer encrenca”.

A CPMI terá 32 parlamentares – 16 deputados e 16 senadores. Na Câmara, a Federação PT, PCdoB e PV poderá indicar dois deputados. No Senado, o bloco PT, PSD e PSB ficará com cinco vagas.

Como mostrou o Bastidor, o PT e o governo Lula pretendem indicar parlamentares com perfil de “enfrentamento”, que rebatam as narrativas bolsonaristas e façam frente à disputa nas redes sociais.

Um exemplo foi a atuação da oposição ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na CPI da Covid em 2021. Nela, se destacaram os senadores Renan Calheiros (MDB), Omar Aziz (PSD), Randolfe Rodrigues (Rede), Otto Alencar (PSD). O governo gostaria de contar com eles na CPMI do 8 de janeiro.

Sem ter maioria, o governo acredita que 12 dos 16 senadores da CPMI podem ser aliados ou, ao menos, distantes da oposição bolsonarista. Do lado da Câmara, a estimativa é ter 11 dos 16 deputados.

Será uma vitória para o governo se o PL, partido do autor do requerimento para abertura da comissão, não ficar com a presidência, nem com a relatoria. O PL, como noticiou o Bastidor, já tem os seus favoritos para fazer parte da comissão.

Nesta terça-feira (25), líderes partidários participam de reuniões para as definições da comissão. O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD), confirmou que lerá o requerimento da CPMI nesta quarta-feira (26). É o primeiro passo para a abertura.