Diversos perfis bolsonaristas nas redes sociais difundiram a versão de que o atentado contra a vice-presidente da Argentina, Cristina Kirchner, ontem à noite, foi uma armação. O objetivo, segundo parte deles, seria desviar o foco das denúncias de corrupção contra Christina.

A tese ganhou destaque depois que jornalistas da Jovem Pan disseram que parte da oposição argentina acreditava que o atentado poderia ser simulado, já que o atirador ficou a cerca de um metro de Kirchner, puxou o gatilho, mas a arma não disparou.

O presidente Jair Bolsonaro demorou mais de 12 horas para se pronunciar sobre o ataque a Cristina. Foi dos últimos chefes de Estado a fazer isso. Bolsonaro costuma usar o governo argentino como exemplo negativo, por ser de esquerda.

Obviamente, de acordo com as informações oficiais da polícia argentina, a história da armação não se sustenta. O suspeito, o brasileiro Fernando Andrés Sabag Montiel, tem um histórico de apoio às teses de extrema-direita, incluindo o nazismo – tanto que tem uma tatuagem nazista. Na casa dele, os policiais dizem ter encontrado mais de 100 balas.

Também há indícios de que Montiel planejava um ataque há bastante tempo. Crítico contumaz do governo de esquerda da Argentina, o brasileiro foi autuado em 2021 por andar com uma faca.