O aumento da rejeição do presidente, ao mesmo tempo em que cai a intenção de voto para sua reeleição no ano que vem, como mostrou a pesquisa XP/Ipespe nesta terça-feira, 17, preocupa aliados de Jair Bolsonaro por ele não ter ainda se filiado a nenhum partido.

As pesquisas, avaliam, colocam o presidente numa situação de desvantagem nas negociações. O PP, do ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, tem seções importantes contrárias à filiação de Bolsonaro, principalmente no Nordeste e em São Paulo, onde parte da legenda prefere uma terceira via.

As conversas para migrar para PL ou Republicanos, legendas para as quais o presidente poderia ir como alternativa ao PP e ao Avante, também ficam mais difíceis conforme a rejeição ao presidente aumenta.

A única que mantém firme o convite para a filiação de Bolsonaro é o PTB, cujo presidente, Roberto Jefferson, está preso.

A legenda, a exemplo das outras, tem dificuldade para embarcar inteiramente no projeto de Jair Bolsonaro, principalmente por causa dos diretórios comandados por filiados com cargos eletivos, como deputados federais e estaduais.

Para assegurar o controle da legenda, Jefferson ameaça com intervenção nos diretórios. O mais recente ocorreu no Ceará, onde o deputado federal Pedro Bezerra, mais próximo do governador Camilo Santana, do PT, e de Ciro Gomes, do PDT, foi retirado do comando do PTB cearense e, em seu lugar, colocado o deputado estadual Delegado Cavalcante, próximo a Bolsonaro.