O jornal Novaya Gazeta anunciou nesta segunda-feira, 28, que irá suspender as atividades até o final da “operação especial no território da Ucrânia”. A publicação russa é dirigida pelo jornalista Dmitry Muratov, um dos ganhadores do Nobel da Paz, em 2021, pela defesa da liberdade de imprensa na Rússia.
A Novaya Gazeta é um dos veículos que contrariam o governo de Vladimir Putin. No início da guerra na Ucrânia, a publicação criticou a iniciativa militar do Kremlin e sofreu ameaças do Roskomnadzor, órgão que regula a mídia na Rússia.
No domingo, 27, Muratov e outros quatro jornalistas de jornais distintos fizeram uma entrevista com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky. A iniciativa dos profissionais gerou reações do governo russo contra os veículos em que todos trabalhavam.
O Roskomnadzor proibiu a publicação do conteúdo dentro do país e fez ameaças aos jornalistas. A Procuradoria-Geral da Rússia informou que iria investigar a conduta dos profissionais.
Logo depois do início da guerra, o Parlamento russo aprovou uma lei que prevê até 15 anos de prisão a jornalistas que publicarem notícias sobre o conflito que tragam notícias divergentes da versão oficial do governo. O uso de palavras como “guerra” e “invasão” está proibido.
Com a nova lei, a Novaya Gazeta considerou suspender as atividades, mas uma consulta aos leitores fez com que a publicação mantivesse o trabalho. Para poder noticiar a guerra, os jornalistas passaram a usar termos aceitos pelo Roskomnadzor ou ironia.
Censura atinge redes sociais
A lei de censura imposta na Rússia gerou uma série de reações duras do governo de Vladimir Putin. Redes sociais como o Facebook e o Instagram passaram a ser consideradas como “extremistas” e foram bloqueadas no país.
Jornalistas também se sentiram obrigados a deixar a Rússia. Várias emissoras e jornais estrangeiros encerraram as atividades de correspondentes no país, para evitar prisões ou sanções. O governo ainda proibiu transmissões de emissoras de rádio e TV que poderiam contrariar o discurso oficial.

