Mediante promessas que talvez não consiga cumprir, o Planalto consolidou apoio suficiente entre os deputados para assegurar a eleição de Arthur Lira, como admitem reservadamente até mesmo aliados de Baleia Rossi.

A ameaça de impeachment, como escrevemos, foi lucrativa para os deputados que não haviam se comprometido ainda com Lira. Aumentou o poder de barganha deles.

Parece contraditório, mas o ambiente mais favorável ao impedimento do presidente prejudicou a campanha de Baleia e Rodrigo Maia, que falam em público sobre coisas como autonomia da Câmara e defesa da democracia.

O discurso deles atraiu a expectativa entre a oposiçao e a opinião pública de algum compromisso com a análise séria dos pedidos de impeachment que se amontoam na mesa de Maia.

Como Baleia e Maia, na realidade, não querem o impeachment, nem mesmo como instrumento de pressão contra o presidente, ficaram na posição politicamente inviável de enrolar sobre os pedidos de impedimento – precisamente num momento em que as cobranças se acumulam.

Essa postura claudicante criou fissuras no frágil apoio da oposição a Baleia, aumentando ainda mais as oportunidades de negociação para Lira e o Planalto.

Salvo um milagre político nos próximos dias, o centrão assumirá o controle da Câmara – e do impeachment.