A interlocutores, Arthur Lira disse não ver como represália a operação da Polícia Federal contra seus aliados, na quinta-feira (1), um dia depois da pressão a que a Câmara submeteu o governo para aprovar a medida provisória que reorganizava o governo. Operações são programadas com antecedência.

Mas o presidente da Câmara disse desconfiar, sim, de que haja uma tentativa deliberada de enfraquecê-lo politicamente com a investigação da PF, por gente do governo aliada a seu inimigo político, senador Renan Calheiros. Lira desconfia de Rui Costa, ministro da Casa Civil.

Para ele, não é coincidência a operação da PF ocorrer ao mesmo tempo em que o ministro do Supremo Dias Toffoli tenha liberado para voltar à pauta seu recurso para não se tornar réu numa denúncia. Lira é acusado de receber 106,4 mil reais em propina, quando era líder do PP na Câmara em 2012, para apoiar o então presidente CBTU, Francisco Colombo, a permanecer no cargo.

Embora nas conversas o presidente da Câmara tenha tentado desvincular as movimentações à sua atuação na tramitação da MP, ele admite que “os ataques” não passaram despercebidos. E que, melhor para o governo, é que não haja uma tentativa de destruição de sua honra. Seria, disse, uma declaração de guerra.

Nesta quinta, a PF realizou uma operação no âmbito da suspeita de fraude na compra de kit de robótica. O esquema fora denunciado pelo Bastidor e chega perto de Lira por meio de aliados seus em Alagoas.

Segundo a PF, o grupo investigado é suspeito de desviar 8 milhões de reais na fraude praticada entre 2019 e 2022. Os equipamentos, destinados a 43 municípios no estado de Alagoas, foram comprados com verba do FNDE (Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação).