Discretamente, Arthur Lira trabalha para que a Comissão de Ética e Decoro da Câmara poupe o deputado Luís Miranda.

Seu objetivo é mudar o relatório do deputado Gilberto Abramo, que defendeu a admissibilidade do processo de cassação de Miranda por, segundo seu entendimento, abusar das prerrogativas parlamentares ao fazer as denúncias de corrupção diretamente ao presidente Jair Bolsonaro.

Como informou o Bastidor, o relator do processo afirmou que o parlamentar quebrou o decoro ao não denunciar as suspeitas de corrupção às “autoridades competentes”. O que não é dito é que, na avaliação do relator, Miranda deveria ter poupado o presidente da Câmara.

Nesta quarta-feira, 20 de outubro, durante a sessão do colegiado, Luís Miranda se defendeu da acusação de Abramo. O deputado afirmou que se houver cassação de seu mandato será porque denunciou o esquema de corrupção e, isso, disse ele, não pode ser considerado quebra de decoro.

Na mesma reunião do colegiado, Abramo pediu o adiamento da votação de seu parecer.

Lira teme que Luís Miranda, ao ser cassado, avance nas denúncias à Polícia Federal. O parlamentar afirmou, em agosto, durante depoimento à PF, que Lira fez pressão e “ameaçou derrubar” o ministro Eduardo Pazuello para que avançasse a compra da Covaxin pelo Ministério da Saúde.

O contrato com a Precisa Medicamentos tinha mil por cento de sobrepreço.

A expectativa é que já na próxima sessão Abramo reveja seu relatório. É o segundo adiamento da discussão de seu parecer.

O curioso é que, normalmente em situações opostas, Psol e Lira estão alinhados em trabalhar para que Luís Miranda não seja cassado.