Após assistir a entrevista do Jornal Nacional com Jair Bolsonaro, Lula reclamou a seus aliados de ter de se submeter ao mesmo escrutínio que o presidente. Não há possibilidade de o petista faltar à entrevista, mas ele quer um tratamento diferente por parte da Globo.

Ninguém na campanha acredita que o ex-presidente terá. Mas Lula disse a interlocutores que o JN não deveria abordar assuntos como mensalão e petrolão – que, para ele, deveriam estar superados. Mesmo assim, suas respostas estão sendo treinadas.

O ex-presidente não perdoa a Globo, entre outros veículos, por ter coberto as investigações da Lava Jato dando amplo espaço ao Ministério Público Federal. E diz que irá revidar, se for necessário.

Os conselheiros mais pragmáticos tem pedido a Lula que responda às perguntas, como as que se discutiu no treinamento, apontando para a suspeição de Sergio Moro e a decisão do Supremo Tribunal Federal de anular suas condenações.

A equipe de Lula sabe que William Bonner e Renata Vasconcellos irão desmenti-lo, se ele afirmar ter sido inocentado pelo STF. Por isso, a escolha das palavras será fundamental.

Ninguém entre os pragmáticos quer que o ex-presidente demonstre descontrole ou irritação com os jornalistas. Existe uma certa tensão no grupo. Um petista lembra que Lula sempre foi capaz de construir pontes com adversários.

“Sua história de sindicalista demonstra que, independente de quem esteja do outro lado da mesa, ele consegue construir pontes”, diz um aliado. Mas, na avaliação dele, as articulações ocorrem longe do público. “O problema é quando há plateia de milhões, como é o caso da entrevista ao Jornal Nacional”.