O Congresso Nacional eleito para 2023 está mais próximo de Bolsonaro do que de Lula. O número de parlamentares identificados com a direita cresceu mais do que os identificados com a esquerda. Seu perfil é mais para aprovar pautas contra o meio ambiente e a favor do armamento do que para fazer reformas, como a administrativa e a tributária.
A Câmara já era mais pró-Bolsonaro. Seguirá desta forma em 2023, mas com um bolsonarismo diferente. Saíram aqueles que pegaram carona oportunista em Bolsonaro, como Joice Hasselmann, se entraram os que se fizeram no governo, as crias de Bolsonaro, como Ricardo Salles. Estes últimos são mais fieis que os anteriores.
O PL, partido do presidente, foi o que mais cresceu: ganhou 23 novos deputados. O Centrão terá 273 deputados, enquanto a coligação de Lula, com PT, PSB e Psol, terá 138.
O Senado, antes uma casa onde os projetos de Bolsonaro empacavam e iam para a gaveta, se tornou mais amigável ao presidente. Dos 27 novos senadores, 14 são bolsonaristas e oito são próximos a Lula – os outros cinco podem pender para qualquer um dos lados.
O PL, partido de Bolsonaro, se tornou a maior bancada da casa, com 13 parlamentares. Se for reeleito, em tese Bolsonaro terá apoio suficiente para realizar desejos radicais, como aprovar o pedido de impeachment de um ministro do Supremo Tribunal Federal.
Seja para Lula, seja para Bolsonaro, o Congresso de 2023 lutará bravamente para manter intacto o orçamento secreto. Com 273 parlamentares, o Centrão terá condições de impedir qualquer tentativa deste tipo.

