O governo Lula colocou a CPI do MST como pauta nas negociações por liberação de cargos e emendas com potenciais aliados. O Palácio do Planalto vai aproveitar que alguns ainda não indicaram todos os seus membros na comissão para pressionar por nomes que não sejam bolsonaristas.
Ao todo, entre titulares e suplentes, são 54 vagas disponíveis na CPI. Dessas, cinco ainda não foram preenchidas. Duas pelo MDB, uma do PSOL, uma do Republicanos e uma do Podemos. O objetivo é usar a ocupação desses espaços para reduzir os danos.
Petistas que integram a comissão reclamaram durante a semana da falta de articulação do governo no colegiado. O Bastidor mostrou que houve até uma bronca no ministro Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário) dada por um deputado do PT.
O parlamentar considera que o Palácio do Planalto demorou a entrar em campo. A oposição aprovou as convocações de João Pedro Stedile e de José Rainha, líderes do Movimento dos sem-terra, mas pouparam o ministro da Casa Civil, Rui Costa.
Além dos cargos e das emendas, a base aliada vai usar a CPMI do 8 de janeiro, onde tem maioria, como moeda de troca para negociar com a oposição na CPI do MST.
Foi a partir desse entendimento que a comissão que investiga os sem-terra postergou votar o requerimento para convocar Costa. Por outro lado, os aliados do governo no colegiado que trata dos ataques às sedes dos Três Poderes concordaram em receber o ex-chefe do GSI de Lula, general Gonçalves Dias.

