O presidente Jair Bolsonaro retomou nesta terça-feira duas características que contrariam a razoabilidade e os conselhos de seus aliados políticos. Voltou a colocar em dúvida a eficácia das urnas eletrônicas, sem nenhuma prova e ao contrário de todo histórico, e a fazer declarações que afastam o eleitorado feminino.

Em uma entrevista ao canal no YouTube do jornalista americano Ben Shapiro, Bolsonaro disse que “eles (os militares) me dizem ser impossível dar um selo de credibilidade ainda às muitas vulnerabilidades que o sistema apresenta”.

Bolsonaro não permitiu que as Forças Armadas divulgassem o relatório da pretensa auditoria que fizeram na votação no primeiro turno. Intimado pelo Tribunal Superior Eleitoral, o Ministério da Defesa passou o ridículo de dizer que não havia documento, pois não concluíra o trabalho. É um drible. Não há nada a dizer por que nada foi descoberto.

A jogada é clara: sem papel algum, Bolsonaro pode manter a versão etérea de que os militares desconfiam das urnas e alimentar a fantasia da fraude eleitoral. Colocar a dúvida de volta no palco, a cinco dias da votação, significa que o presidente vai contestar o resultado se não vencer.

Falar mal das urnas não traz um voto sequer. Neste momento, nada mais é do que uma forma de manter seus apoiadores de prontidão para um tumulto contra uma eventual derrota.

Em outro episódio, Bolsonaro relevou as denúncias de assédio sexual contra o então presidente da Caixa, Pedro Guimarães. “Agora, não vi nenhum depoimento mais contundente de qualquer mulher. Vi depoimento de mulheres que sugeriam que isso poderia ter acontecido”.

Guimarães teve de deixar o banco após várias mulheres o denunciarem por assédio sexual, além de várias reclamações de assédio moral. Os relatos eram fortes. Ao relevar isso, Bolsonaro coloca a perder todo o esforço que sua campanha fez para agradar o eleitorado feminino, no qual ele perde para Lula.

Contudo, o presidente não parece estar tão interessado em conseguir mais votos quanto em desacreditar o processo eleitoral.