A Eletrobras anunciou que chegou a um acordo com o governo Lula. A empresa cederá à União três cadeiras no conselho de administração e uma no colegiado fiscal. O fato relevante com as informações foi divulgado nesta sexta-feira (28). O acordo ainda precisa ser homologado no Supremo Tribunal Federal.
A divulgação sobre o acordo com o governo é feita dois dias depois da assembleia-geral convocada pela Eletrobrás no fim de janeiro. O encontro serviu para aprovar, dentre outras pautas, a criação de mais uma cadeira no conselho de administração da empresa, que aumentou de nove para dez integrantes.
Foi essa a mudança que garantiu o terceiro assento ao governo Lula. O atual presidente já falava desde antes da posse sobre querer ter mais influência na Eletrobras.
Lula justifica a vontade dizendo achar pouco o que foi concedido à União quando a companhia foi privatizada. Após a privatização da Eletrobras, em junho de 2022, o governo federal manteve 42% do capital da empresa e ficou com dois votos no conselho de administração.
Como o petista não conseguiu uma solução por vias políticas, pois a ideia foi prontamente rechaçada pelo Congresso, buscou o STF para fazer valer sua vontade. A ação do governo caiu com Kassio Nunes Marques, que decidiu por uma solução consensual.
Se o acordo for homologado, o governo dobra sua voz na Eletrobras, empresa que considera essencial para a segurança energética e o desenvolvimento do país, principalmente no Norte e Nordeste. O que não é dito, mas também importa, é a possibilidade de alocar apadrinhados políticos em cargos na antiga estatal – que sempre foi usada para cabide de emprego.
O Bastidor mostrou desde o início da pressão do governo sobre a Eletrobrás que o acordo não foi fechado antes pela falta de vontade da União em acelerar as conversas. Essa anemia política levou Kassio Nunes Marques a prorrogar inúmeras vezes, muitas delas a pedido da Advocacia-Geral da União, o prazo de encerramento das conversas.
Leia o fato relevante divulgado pela Eletrobras nesta sexta-feira (28):

