A revelação de que a Polícia Federal encontrou uma nova joia que pode ter sido negociada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro nos Estados Unidos afeta mais o PL e seus candidatos que a ele mesmo. Daqui para a frente é tudo uma questão de velocidade e tempo para medir o tamanho do estrago.
De acordo com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, a investigação do caso das joias deve terminar ainda este mês. Se isso realmente acontecer, a PF deve pedir o indiciamento de Bolsonaro ao Supremo Tribunal Federal.
Assim, o caso das joias estará novamente nas ruas em julho e agosto, no início da campanha para a eleição municipal. Isso será bom para Bolsonaro. Como principal cabo eleitoral do partido que quer eleger mais de 1.000 prefeitos, ele terá espaço em palanques e redes sociais para pedir votos para os outros, se defender e pedir apoio ao projeto de longo prazo de obter uma anistia para si e para seus seguidores que barbarizaram Brasília em 8 de janeiro.
Contudo, pode não ser um bom negócio para o PL e seus candidatos. É certo que Bolsonaro tem eleitores fieis e dedicados, que acreditam que o caso das joias é uma armação contra o ex-presidente. Mas ter seu principal cabo eleitoral exposto por ter desviado joias da Presidência e vendido nos Estados Unidos para embolsar o dinheiro pega mal entre boa parte da população. Em São Paulo, onde apoia a reeleição do prefeito, Ricardo Nunes, 6 entre 10 eleitores dizem não votar num candidato apoiado por Bolsonaro.
Com caso das joias em evidência em meio à campanha eleitoral, o PL e seus candidatos terão de medir quanto valerá a pena ter Bolsonaro a seu serviço.

