A mineirice de Rodrigo Pacheco o impede de ser estridente como seu par na Câmara, Arthur Lira, nas críticas ao governo. Mas seu silêncio, diz um aliado, às vezes pode ser eloquente.

Cita um exemplo. A relatoria da medida provisória que permite a extensão do prazo para adesão ao Programa de Regularização Ambiental foi oferecida pelo governo à ex-ministra da Agricultura Teresa Cristina (PP-MS).

Era um gesto de Lula ao agronegócio, a quem a senadora é ligada, e ao PP, que se declara independente, já que a MP foi editada por Jair Bolsonaro nos últimos dias de seu governo. Feito o convite, a senadora aceitou.

Mas, como definiu Randolfe Rodrigues, líder do governo no Congresso, numa reunião de líderes nesta semana, ela e ele foram “tratorados” por Pacheco, que escolheu Efraim Filho (União Brasil-PB) como relator. A medida foi aprovada na terça-feira (16).

A escolha de Efraim não prejudicou a tramitação da MP, mas atrapalhou o gesto do governo para o agronegócio. A mineirice de Pacheco ficou clara na reação à reclamação de Randolfe Rodrigues: ele riu. E só.