O ex-governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, levou ontem aos senadores que integram a CPI da Pandemia mais um alerta sobre a influência da milícia nos hospitais federais do Estado. O ex-ministro Luiz Henrique Mandetta conheceu a dificuldade de enfrentar esse problema quando assumiu o ministério da Saúde.

Em fevereiro de 2019, a Polícia Federal investigou ameaças contra Mandetta depois de ele trocar a diretoria do Hospital-Geral de Bonsucesso. Um colaborador e amigo de Mandetta na Saúde, o médico Júlio Leão, declarou à imprensa na ocasião: “A Polícia Federal está trabalhando nesse processo. As milícias estavam comandando os hospitais federais. Ele [Mandetta] tira de letra essas ameaças”.

O senador Flávio Bolsonaro, em vez de apoiar as medidas adotadas pelo governo federal, reclamou nas redes sociais das mudanças promovidas por Mandetta. “Esclareço que não tenho nenhuma participação/responsabilidade na nomeação do Sr. Paulo Cotrim”, escreveu, acrescentando: “Ao contrário, se eu tivesse sido consultado diria para não nomeá-lo.” Logo depois, Cotrim, indicado por Mandetta para gerir o Hospital de Bonsucesso, foi exonerado do cargo.

Depois do episódio, o filho mais velho do presidente assumiu as indicações para a gestão dos hospitais federais no Rio. Em 2019, o médico Marcelo Muniz Lamberti foi escolhido pelo senador para chefiar o Departamento de Gestão Hospitalar, responsável por coordenar da administração dos hospitais federais no Estado.

O mesmo Lamberti agora ocupa, no Rio, a Superintendência do Ministério da Saúde no lugar de George Divério, demitido depois que a TV Globo apontou irregularidades em contratos.

Para um senador da CPI da Pandemia, o depoimento de Witzel à comissão, que contou com a presença do senador Flávio Bolsonaro, mostrou que há pistas para investigar os tentáculos das milícias na gestão da Saúde no Rio de Janeiro. Esse parlamentar admite que não há meios na CPI para esse desafio, mas deveria haver no Ministério Público e na Polícia Federal.