O testemunho dado hoje por Marconny Faria à CPI da Covid não foi muito produtivo. Ele, que chegou à sessão como testemunha e saiu como investigado, optou por ficar calado em várias ocasiões e se contradisse em algumas ocasiões. O lobista também foi ameaçado de prisão por Randolfe Rodrigues, mas o próprio senador afirmou que a medida poderia afrontar decisão do STF que garantiu o direito ao silêncio.

A polêmica mais forte da sessão foi a acusação de prevaricação feita por Omar Aziz contra Wagner Rosário. O presidente do colegiado disse que o ministro da CGU, apesar de saber das irregularidades no contrato firmado entre Precisa Medicamentos e Ministério da Saúde para comprar doses da Covaxin, só agiu depois das investigações da CPI.

Marconny negou ter negociado vacinas, mas confirmou ter prestado serviços de “análise política” para a Precisa durante 30 dias, mas apenas por WhatsApp e sem qualquer contrato. Tanto que foi provocado pelos senadores a dizer do que se tratava esse assessoramento, mas alegou ter se comprometido a manter sigilo. Os parlamentares questionaram essa obrigação, mas não insistiram muito no assunto.

Depois, o lobista se contradisse ao afirmar que conversou com parlamentares em nome da Precisa e depois negar que falou com congressistas. Porém, mensagens obtidas pela PF mostram Marconny dizendo que falou com um senador para “desatar nós”. Questionado sobre o nome desse político, disse não se lembrar do nome.

Ele também contou aos senadores que o manual criado para ensinar a fraudar licitações no Ministério da Saúde foi enviado a ele pela diretoria Precisa. Mas negou que tenha participado de qualquer crime. Segundo o relator da CPI, Renan Calheiros, Marconny teria fraudado compra pública testes de Covid junto Francisco Maximiano, sócio da Precisa; Danilo Trento, diretor da empresa; e o ex-diretor de logística da Saúde Roberto Dias.

O ex-contratado da Precisa afirmou ainda ter “amizade” com Jair Renan há dois anos e confirmou ter auxiliado o aspirante a influenciador digital a abrir uma empresa no ramo. Segundo a CPI, Marconny deu, no fim de 2020, sua festa de aniversário no camarote do filho 04 de Jair Bolsonaro, no estádio Mané Garrincha, em Brasília.

Ainda na família Bolsonaro, o lobista ficou em silêncio ao ser questionado sobre a atuação de Ana Cristina Valle, uma das ex-mulheres do presidente da República, em indicações para cargos no governo.

A CPI também questionou a relação de Marconny com Karina Kufa. Ele primeiro respondeu que é amigo da advogada de Jair Bolsonaro e tesoureira do Aliança pelo Brasil, mas que nunca teve qualquer projeto profissional com ela. Depois, nos últimos instantes da sessão, se retratou e preferiu ficar calado.