Há quatro anos, a equipe de Jair Bolsonaro e os bolsonaristas – sejam eles humanos, sejam robôs – mantêm o domínio na política no meio digital. São eficientes em espalhar fake news, atacar adversários, engajar e mobilizar. Esta supremacia não é mais tão pronunciada, mas se mantém.

Nesta quarta-feira, no entanto, a campanha de Bolsonaro sentiu o baque de ver a página usada há anos para fazer propaganda do presidente ser transformada em um site de conteúdo depreciativo.

Foi um cochilo. Por falta de pagamento, o domínio bolsonaro.com.br ficou livre e foi arrematado em leilão pelo filósofo Gabriel Baggio Thomaz. Ele, então, o converteu em uma página repleta de críticas e depreciações do presidente.

Horas depois surgiu um segundo site, www.mulherescombolsonaro.com, que expõe situações em que Bolsonaro agrediu e ofendeu mulheres. Não se sabe ainda quem criou a página.

É a primeira vez que Bolsonaro e os seus são atacados no mundo digital com as armas que usam há anos contra adversários. Sintomático que o contra-ataque tenha vindo de alguém de fora de outra campanha, pelo que se sabe até agora.

Pior ainda, que tenha acontecido na campanha eleitoral, quando Bolsonaro está há meses em segundo lugar. O site sobre mulheres, por exemplo, ajuda adversários a demolir a tentativa de Bolsonaro de angariar votos entre o eleitorado feminino, onde tem maior rejeição.

Assim como Bolsonaro demonstra ainda estar em 2018, e seu filho Carlos quer fazer a mesma campanha de quatro anos atrás, as redes bolsonaristas parecem achar que têm o mesmo domínio de sempre. Só que o que era só mato quando eles se instalaram em 2018, mudou.

A adesão do deputado André Janones a Lula modificou um pouco o quadro nas últimas semanas. Nas redes sociais Janones usa a mesma agressividade dos bolsonaristas, só que contra eles e na defesa da candidatura de Lula.

As redes sociais se tornaram um pouco menos apáticas em relação a posturas como às de Bolsonaro. Se não são hostis, não aceitam mais passivamente fake news e exageros. Dentro de suas limitações, a Justiça Eleitoral está mais ativa. Em quatro anos, especialistas aprenderam as táticas bolsonaristas e têm mais facilidade em desmascará-las. Até os adversários, como se vê, aprenderam algo.

Mesmo com gabinete do ódio e Carlos Bolsonaro, a campanha do presidente não tem a mesma tranquilidade de 2018. Há menos bobos jogando o jogo da política no mundo digital.