Há um território fora das quatro linhas da busca por votos, onde também se disputa a eleição deste ano. É o campo no qual o presidente Jair Bolsonaro usa fake news e pressão sobre a Justiça Eleitoral para questionar a lisura das eleições. Nos últimos dias, no entanto, a área de manobra de Bolsonaro por ali ficou menor.
A decisão do presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Alexandre de Moraes, de colocar na internet os boletins de urna imediatamente após o encerramento da votação quebra uma das fontes de fake news que seriam exploradas por Bolsonaro em caso de derrota.
O ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira, pretendia ter acesso mais rápido a estes boletins para conduzir uma espécie de auditoria da votação por amostragem de menos de 400 urnas. A ideia não tem cabimento, mas forneceria argumento perigoso para Bolsonaro alegar que a “apuração” dos militares não batia com a oficial, o que indicava fraude. O ato de Moraes esvazia a ideia militar.
Bolsonaro é imprevisível e não segue os limites da democracia. Portanto, ainda há uma infinidade de ideias que pode explorar, como dizer que a multidão do 7 de Setembro prova que ele tem mais votos do que Lula. Pode usar qualquer argumento para alegar que houve fraude.
Só que ele está ficando sem apoio. Pesquisas mostram que alegar fraude soa como choro de perdedor à maioria dos eleitores – com exceção dos bolsonaristas mais radicais. Seus aliados políticos avisaram que não embarcam nesta cruzada, como já mostrou o Bastidor. A Justiça está contra. Governos estrangeiros se manifestaram pela democracia.
A cada dia fica mais claro que a prática de Bolsonaro de questionar a eficácia e a honestidade da Justiça Eleitoral está fora das quatro linhas da eleição.
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