A suspensão das emendas RP9 pelo Supremo Tribunal Federal é motivo de preocupação apenas para deputados, que deixariam de canalizar secretamente dinheiro para as suas bases, e, principalmente, para Arthur Lira, presidente da Câmara e controlador do cofre.
A articulação política do governo também pensa alternativas, uma delas, como informou o Bastidor, as emendas de comissão, igualmente secretas. Há, porém, um grupo feliz no governo com a perspectiva do fim das emendas do relator: os ministros das áreas técnicas.
Antes das RP9, os parlamentares tinham de percorrer a Esplanada dos Ministérios atrás de dinheiro. Os deputados batiam na porta dos ministros, defendiam suas regiões, apresentavam projetos e levavam prefeitos para pressionar os responsáveis pelas pastas.
Com as emendas secretas, o movimento inverteu: passaram ser os ministros que tinham de ir para o Congresso atrás de dinheiro para tocar seus projetos nos ministérios. E, nisso, ministros como o da Ciência e Tecnologia (Marcos Pontes), cujo trabalho nem sempre é visível, perde feio para o de Desenvolvimento Regional (Rogério Marinho), que além de político, faz obras, com geração de emprego e cujo trabalho fica a vista de todos.

