O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, se reúne na próxima semana com os comandantes das Forças Armadas para uma missão difícil: defender as mudanças que o PT pretende fazer no artigo 142 da Constituição.

O artigo 142 é delicadíssimo. Sua redação durante a Constituinte de 1988 foi fruto de uma grande pressão dos militares. Graças a isso é que o texto autoriza as Forças Armadas a serem usadas em operações de segurança interna.

Nos últimos anos, no entanto, o artigo foi deturpado. Bolsonaristas, militares e advogados criativos fazem uma leitura absurda, de que o texto permite às Forças Armadas ficarem acima de Executivo, Legislativo e Judiciário.

O PT da Câmara vai propor a mudança no texto no artigo que trata da Garantia da Lei e da Ordem. O PT também quer proibir que militares da ativa ocupem cargos comissionados de civis no governo.

Múcio quer preparar o terreno para as mudanças. O principal receio é quanto ao impedimento de militares ocuparem cargos civis. No ápice, o governo de Jair Bolsonaro chegou a ter mais de 6 mil militares em cargos civis no Executivo.