A depender do Podemos, Sergio Moro é candidato à Presidência da República. Mas, em seu discurso de filiação, o ex-juiz da Lava Jato limitou-se a colocar seu nome à disposição do partido para qualquer cargo que seja julgado estrategicamente relevante.
A filiação de Moro teve ares de filmes da Disney, com o ex-ministro sendo colocado sob luzes divinas que, para o Podemos, tirarão o Brasil das trevas.
Moro se colocou como alguém que nunca participou da política, apesar de ter sido ministro da Justiça do governo de Jair Bolsonaro e ter traçado estratégias políticas como juiz da Lava Jato. Também se adiantou em expor os próprios defeitos ao citar críticas a sua voz e suas falas.
“Posso não ter o melhor discurso, mas sou alguém que vocês podem confiar. Não repudiei princípios para alimentar pretensões pessoais”, afirmou Moro, enquanto citava suas vitórias na Lava Jato e destacava que a Petrobras foi saqueada nos governos petistas “como nunca antes na história desse país” –numa indireta a Lula.
O ex-ministro aproveitou sua fala para responder Jair Bolsonaro. Citou os estragos da pandemia e disse que nunca se vendeu por cadeira no STF e que não ficaria no governo para viver uma mentira.
Moro aproveitou para marcar posição diferente a do presidente e à do ex-presidente Lula, ambos hostis à imprensa. “Chega de ofender ou intimidar jornalistas. Eles são essenciais para o bom funcionamento da democracia e agem como vigilantes de malfeitos dos detentores do poder”, afirmou.
Álvaro Dias, que chamou o Podemos de “obra política”, disse que o lançamento do nome de Moro vem para acabar com uma “beligerância política” que parece “não ver haver inteligência entre a extrema-esquerda e a extrema-direita”.
O senador disse ainda que Moro não julgou a Lava Jato “por motivos políticos”, mas pelo Brasil, tornando-se “vítima dos arautos da corrupção”.
A afirmação de Dias resume como o Podemos pretende usar o nome de Moro. O partido pretende monopolizar o público lavajatista e anticorrupção ao mesmo tempo que se coloca como liberal na economia sem deixar de dar muita atenção às questões sociais.
O lema do Podemos neste ano é “Brasil pra frente, Moro presidente”, porque, “juntos, podemos construir um Brasil melhor”, na esperança de que o lavajatismo ainda tenha força no eleitorado.

