O depoimento dado hoje pelo motoboy Ivanildo Gonçalves da Silva à CPI da Covid seguiu a linha de defesa definida pela VTCLog. Ele confirmou os saques e os depósitos feitos em nome da companhia e disse ainda que pagou boletos do dono da empresa, Carlos Alberto Sá. Porém, negou que tenha repassado dinheiro a autoridades ou empresários.
A ida de Ivanildo à CPI – após a descoberta de que o motoboy movimentou quase R$ 5 milhões da VTCLog – não estava prevista para hoje. Mas acabou acontecendo depois que Marcos Tolentino, apontado pelos senadores como sócio oculto do FIB Bank, foi internado – alegou aos senadores sequelas da Covid-19.
Aos senadores, o motoboy confirmou que fez depósitos nas contas da VTCLog no mesmo dia em que foram pagos boletos de Roberto Dias, ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde. Ele disse ainda que não conhecia Dias e que esses serviços eram solicitados por Zenaide Sá Reis, funcionária do setor financeiro da empresa.
Para checar esses depósitos, a CPI deverá usar a geolocalização do celular usado pelo motoboy no período para checar a versão dele. Essa linha de investigação, se adotada, permitirá ainda cruzar datas e horários de saques com a localização de Ivanildo e de outros alvos da comissão. Dados de quebra telemática dele também podem oferecer a geolocalização do motoboy, de modo a saber onde ele esteve quando sacou largas quantias em espécie.
Sobre os pagamentos em dinheiro que realizou para o dono da VTCLog, Silva disse terem sido feitos via boleto. Nesse caso, é preciso checar as fitas da agência da Caixa no aeroporto para saber o que realmente foi pago por Silva e falar com o gerente bancário da conta da VTCLog.

