É verdade que o ex-ministro do STF Ricardo Lewandowski terá carta branca para montar o primeiro escalão do ministério da Justiça. Mas também é verdade que Lula impôs os nomes que deverão permanecer.

Entre eles não estão os de Ricardo Cappelli e Augusto de Arruda Botelho, ambos filiados ao PSB, partido que tinha esperança de ficar no comando do ministério dada a força política de Flávio Dino.

Lula se reuniu na noite de quarta-feira (10) com Lewandowski e Dino para acertar os detalhes da mudança. Um novo encontro, marcado para esta quinta-feira (11), deve preceder o anúncio. O presidente tratou da permanência, por exemplo, do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Passos, e de petistas no ministério.

Lula, como disse um deputado ao Bastidor, é grato a Dino e Cappelli pelo desempenho de ambos no primeiro ano de governo, mas tem uma gratidão maior por Lewandowski, um dos responsáveis pela anulação da Lava Jato, mas “a autonomia do ex-ministro do STF vai até onde o presidente quer”.

O petista trata a indicação de Dino ao STF como uma recompensa à lealdade e à forma como conduziu as reações ao 8 de janeiro. Para Lula, interpreta um petista em conversa com a reportagem, Dino saiu por cima e não acolher a sua recomendação de deixar Cappelli no comando não é ingratidão.

A conversa de ontem à noite jogou um balde de água fria em Dino, mas o ministro ainda tentará cavar algo para seus aliados no encontro desta quinta.

As mudanças na pasta já começaram. O secretário-executivo adjunto da secretária-executiva do ministério foi exonerado do cargo.