A demissão do secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Neri Geller, vai além das suspeitas que recaem sobre ele e pessoas próximas no leilão realizado pela Conab para importação de arroz.
Pesou contra Geller o apetite por indicações a cargos que fugiam da sua alçada na administração federal. Petistas e o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, já haviam reclamado do secretário, que foi deputado federal e ministro de Dilma Rousseff.
Além da exoneração, o governo decidiu cancelar o leilão da semana passada. A decisão ocorre após a Conab dar um prazo de 24 horas para que fosse apresentada a capacidade técnica de financeira das empresas vencedoras.
Foi Geller quem indicou Thiago José dos Santos para a direção-executiva de Operações e Abastecimento da Conab. O cargo está diretamente ligado à execução do leilão. É Thiago, por exemplo, quem assina comunicados sobre o certame junto com o presidente da Conab, Edegar Pretto. Ele foi servidor do gabinete de Geller na Câmara dos Deputados.

Na outra ponta das suspeitas está o advogado Robson Almeida de França, que também atuou no gabinete de Geller quando deputado federal. Robson é dono da Foco Corretora de Grãos, principal corretora do leilão. Ele recebeu, segundo prestação de contas no TSE, 150 mil reais da campanha de Geller em 2022, quando tentou o Senado pelo Mato Grosso.

Quando Lula tirou a Conab do Ministério da Agricultura e colocou sob a alçada da pasta de Desenvolvimento Agrário levou em conta justamente os alertas sobre a influência que Geller teria sobre o órgão.
Geller foi junto com Fávaro e, em certa medida com o senador Jayme Campos, um dos interlocutores de Lula com o agronegócio e com empresários do Mato Grosso. No estado, os três foram os principais responsáveis por buscar doações à campanha petista. Lula, portanto, tem uma gratidão pelo aliado e por isso uma decisão mais radical não foi tomada antes.
Com a campanha vitoriosa de Lula, Geller passou atuar para assumir dois cargos: o comando do ministério da Agricultura ou a presidência da Conab. Deixa o governo sem conseguir.

