A coletiva de imprensa de Alexandre de Moraes após o fim das eleições deste ano foi cheia de mensagens imagéticas. O presidente do Tribunal Superior Eleitoral chegou à bancada acompanhado pelos ministros da corte, do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, e até do procurador-geral da República, Augusto Aras.
A mensagem foi de união, com os ministros do TSE chegando em bloco, junto com Pacheco. Aras, que apoiou Bolsonaro desde o começo do governo, ficou no fim da fila desse grupo e sequer um sorriso esboçou em sua primeira aparição pública na semana.
Moraes disse que havia conversado com Lula e Jair Bolsonaro, afirmando que estava pronto para declarar o resultado oficial, com a vitória do petista. Moraes disse que parabenizou ambos por terem disputado as eleições deste ano.
Antes de começar a falar, Moraes fez questão de cumprimentar colegas de Supremo. Os ministros estavam na plateia, mas Edson Fachin, Gilmar Mendes e Luís Roberto Barroso, nessa ordem, se levantaram e foram até o presidente do TSE para um abraço. Todos os três cumprimentos foram muito calorosos.
Moraes agradeceu a diversas instituições que ajudaram na organização e na fiscalização das eleições, como Tribunal de Contas da União, OAB, partidos políticos. O presidente do TSE também agradeceu aos militares, mesmo depois de todas as brigas por conta de Jair Bolsonaro.
Abstenção e polícia
Moraes afirmou que as operações da Polícia Rodoviária Federal neste domingo (30) não alteraram a votação, principalmente no Nordeste. Segundo o presidente do TSE, houve ligeira queda no índice de abstenção da região, que ficou em torno de 20%.
As operações da PRF foram realizadas como um meio de impedir votos em Lula porque as inspeções aumentaram o trânsito em diversas cidades e foram focadas no Nordeste, região onde o petista obteve muito mais votos que Bolsonaro. Também pesou contra a Polícia Rodoviária Federal o fato de seu diretor-geral, Silvanei Vasquez, ser bolsonarista e, apesar do cargo, declarar voto no futuro ex-presidente.
Ao fim de sua fala, Moraes foi ovacionado pelos presentes no TSE Foi aplaudido de pé, enquanto ecoavam no tribunal os gritos de Xandão, Xandão, Xandão”.

