Um dos motivos que fizeram líderes partidários da Câmara recusarem um encontro com Lula na segunda-feira (5) foi o fato de que a reunião seria em grupo. Em conversa coletiva não se fala nada importante.

Os líderes queriam tratar de cargos e verbas com Lula, o que só se faz em encontros individuais. Ninguém vai apresentar pedidos na frente dos outros, sob o risco de o encontro virar briga por espaço.

Se aceitassem o convite, mais uma vez os líderes sairiam do Palácio do Planalto com promessas de mudança, mas sem resultados efetivos. Os parlamentares também não queriam fazer favor ao governo posando para foto com o presidente, dando a impressão de que a relação estava pacificada.

Como mostrou o Bastidor, a reforma ministerial seria o principal assunto do encontro por parte dos deputados, para dividir cargos e e verbas. O tema já havia sido debatido por Lula e o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), horas antes.

O Centrão quer que o governo negocie os ministérios da Saúde e Educação, os dois maiores orçamentos do governo. Quer substituir também os ministros do Turismo e da Integração e Desenvolvimento Regional. O governo, no entanto, pensa numa versão mais enxuta, com apenas algumas substituições.

Sem os líderes partidários da Câmara, Lula recebeu lideranças do Senado: Renan Calheiros (MDB-AL), Jaques Wagner (PT-BA), Randolfe Rodrigues (Sem partido-AP), Otto Alencar (PSD-BA), Fabiano Contarato (PT-ES) e Izalci Lucas (PSDB-DF). Participaram também os ministros Alexandre Padilha (Relações Institucionais) e Rui Costa (Casa Civil), ameaçado de perder o cargo.

A Lula, um senador aliado disse que a Casa será uma espécie de barreira contra os exageros da Câmara. Mas afirmou também que o governo só terá sucesso se destravar a articulação política.