Lula tem sido aconselhado a focar apenas nas cidades em que o PT e seus aliados tenham mais chances de vencer a campanha eleitoral do ano que vem e evitar as que terá como adversário direto Jair Bolsonaro e seus apoiadores. Mas o confronto é tudo o que o ex-presidente quer, dizem seus auxiliares.

O fato de ter sido eleito no ano passado não significa que o presidente terá vitória sobre o ex-presidente. Uma eventual derrota em uma cidade será usada pelos bolsonaristas para enfraquecer Lula politicamente – seja diante do eleitorado, seja na rotina política em Brasília.

Como há ainda dez meses pela frente, os auxiliares acreditam haver tempo para dissuadir Lula da ideia de confronto. Lula, dizem, não deve trazer Bolsonaro para o debate eleitoral direto, ainda que ele se mantenha inelegível. É o velho argumento de que brigar com Bolsonaro é legitimá-lo como antagonista.

Um exemplo citado como bom lugar para o presidente se engajar é no Rio de Janeiro, do prefeito Eduardo Paes (PSD).

Paes terá como um dos adversários o bolsonarista e o ex-diretor da Abin Alexandre Ramagem. A avaliação, porém, é que mesmo com o empenho pessoal de Bolsonaro, dificilmente alguém vencerá o atual prefeito. Seria o candidato para Lula participar da campanha, sem fortalecer o adversário.