O governador de Minas, Romeu Zema, pertence a um partido que se chama Novo, mas demonstra ter ideias velhas. Ressalta o desgastado discurso de ser um empresário na política e do enfrentamento entre estados do Sul e do Nordeste do Brasil. Mesmo no segundo mandato, Zema demonstra que ainda precisa aprender muito para entender a política e a vida pública. 

Ao dizer que um consórcio dos 7 estados do Sul e do Sudeste procuraria equilibrar benefícios dados aos do Norte e Nordeste, Zema criou uma armadilha para si. Além de entregar uma estratégia, permitiu que governadores e o ministro da Justiça, Flávio Dino, o acusassem de preconceito e separatismo – duas coisas muito associadas às regiões sul e sudeste.

Contrapor estados por região é coisa velha. O desequilíbrio foi estabelecido pelo Pacote de Abril, de 1977, feito pela ditadura militar, que alterou as regras para formação da Câmara e do Senado. Como a Arena, partido do governo, era mais votado no Norte e no Nordeste, estes estados ganharam bancadas proporcionalmente maiores às suas populações. Assim, o governo recuperou a maioria no Congresso, perdida na eleição de 1974.

Desde então persiste o discurso de que os estados destas regiões têm maior representação do que deveriam. A reforma tributária mexe no assunto, pois os estados de Norte e Nordeste exigiram – e obtiveram – compensações por serem mais pobres.

Na próxima etapa da reforma terá de se discutir como funcionará o conselho formado pelos estados, encarregado de discutir disputas e outras questões. Aí é que a divisão entre os estados começa e entra o Cossud, Conselho Sul-Sudeste, que Zema cita.

Mas tratar do assunto por meio de um divisão é um erro estratégico. Sempre que entrou briga no meio, a reforma tributária parou. O mercado, a iniciativa privada que Zema tanto exalta, não gostaria que a reforma parasse agora que meio caminho foi percorrido.

Se insistir numa retórica de conflito como meio de negociação, Zema poderá ficar isolado, mesmo entre os governadores de sua região.